Triste é um homem que sabe discutir política, filosofia, religião, verdades eternas, paixões e culturas, mas nunca aprendeu a se divertir.
18.3.11
16.3.11
The sound of silence
De todos os valores que exercito, desde a intensidade em emoções e intenção de perfeição em atitudes que gritam quando me observo, exatamente o que eu nunca busquei é o que mais sinto falta: o mediano, o silêncio, a estática, o ócio.
E se por dizer isso eu seja interpretado como mais um malandro boa-vida, não me importo. Sei que nem só de descansos se faz um caminhar, mas um andarilho lento e paciente vai mais longe e aproveita melhor o caminho do que qualquer maratonista apressado. Essa metáfora está perfeita. Passamos correndo por tantas coisas no dia-a-dia, que não temos prazer ou surpresa ao encontra-las.
Vivemos no ciclo do muito, do doar até esvair, do compensar na vingança, do chacoalhar o Pé da Intensidade para conseguir no meio das frutas verdes alguma madura. Pois precisa ser aqui, agora, dessa forma.
Mas me digam vocês, paladinos do mérito, que sempre foram vitoriosos em batalha (mesmo quando outros a lutaram): o que um homem precisa além de uma cama para dormir, um prato para comer e uma mulher para amar?
Deus, talvez. Mas Esse habita no silêncio da alma. Barulhos continuam a distrair do que importa de verdade; pregadores e revolucionários gritando em praças públicas, músicas, sempre iguais umas às outras, o martelar de obras milenares que se estendem pela história e que nunca terminam; e o eco teimoso de vozes de filósofos e psicólogos, poetas e antropólogos, tentando descobrir como alcançar o tesouro da felicidade eterna. Estou certo que está enterrado em cada peito, no coração de quem a carrega.
Mas os barulhos, aumentando, levam homens à loucura, para mais longe da solitude e do hábito de acalmar a alma abalada diante do invisível, do imutável, do não sonoro YHWH.
13.3.11
O fim dos mundos.
Algo brotou dentro de mim. E o que cresceu foi um universo.
O que eu queria dizer é que tudo o que nasce é poeira, tudo o que morre é um mundo.
Queria falar da urgência, de que passamos muito tempo contemplando o vazio enquanto estrelas colidem, o mundo gira, crianças morrem de fome e amores morrem de solidão.
Queria falar dessa humanidade em constante incômodo, se empurrando e puxando afim de estarem certos, abraçando qualquer verdade como uma luz pessoal que ilumina seu próprio canto, e não mais que isso, num universo que chama de trevas, enquanto lá fora brilham constelações.
Tanta luz em estrelas flamejantes, cometas raiados, explosões de gases, cores e maravilhas, e somos atraídos para buracos negros de nosso impulso em consumir e destruir a nós mesmos, ao nosso mundo.
O medo da humanidade é que o mundo acabe. E em breve repararemos que é verdade, esse pode ser o fim. O fim do dia. O fim da confiança. O fim de uma amizade. O fim de quem se ama.
Falem de tsunamis, de inclinações que mudam, de explosões e de cavaleiros do apocalipse, pois já ví mais fins de mundos do que sou capaz de suportar. O brilho de uma supernova nos olhos da criança que vê o enterro do próprio pai. O gelo da estrela que morre na resposta seca entre quem já disse amar. Já ví ondas varrerem corações. A terra se rachar e engolir promessas. Já ví o alvorecer doentio de um sonho moribundo.
Então, que venham os fins de mundo!
Que o fogo purifique, que a morte consuma, que a praga, a peste, e todas as bestas de profecias façam cá sua morada. Que cada parte desse mundo morra para renascer imortal.
Pois o que ninguém descobriu é que o mundo já acabou.
Isso pode ser o fim de tudo.
E eu te espero no por do sol de uma geração agonizante. Quando tudo é marcado para o fim, nada do que se faz é pequeno. Podemos ainda ser um mundo. Com vida. Milhares de eras passadas em um segundo. Afinal, o que é o tempo no fim?
Isso pode ser o fim de tudo.
Então, porque não vamos a um lugar que só nós conhecemos?
Se tudo que morre é um mundo, só ao que é imortal chamaremos lar.
O que eu queria dizer é que tudo o que nasce é poeira, tudo o que morre é um mundo.
Queria falar da urgência, de que passamos muito tempo contemplando o vazio enquanto estrelas colidem, o mundo gira, crianças morrem de fome e amores morrem de solidão.
Queria falar dessa humanidade em constante incômodo, se empurrando e puxando afim de estarem certos, abraçando qualquer verdade como uma luz pessoal que ilumina seu próprio canto, e não mais que isso, num universo que chama de trevas, enquanto lá fora brilham constelações.
Tanta luz em estrelas flamejantes, cometas raiados, explosões de gases, cores e maravilhas, e somos atraídos para buracos negros de nosso impulso em consumir e destruir a nós mesmos, ao nosso mundo.
O medo da humanidade é que o mundo acabe. E em breve repararemos que é verdade, esse pode ser o fim. O fim do dia. O fim da confiança. O fim de uma amizade. O fim de quem se ama.
Falem de tsunamis, de inclinações que mudam, de explosões e de cavaleiros do apocalipse, pois já ví mais fins de mundos do que sou capaz de suportar. O brilho de uma supernova nos olhos da criança que vê o enterro do próprio pai. O gelo da estrela que morre na resposta seca entre quem já disse amar. Já ví ondas varrerem corações. A terra se rachar e engolir promessas. Já ví o alvorecer doentio de um sonho moribundo.
Então, que venham os fins de mundo!
Que o fogo purifique, que a morte consuma, que a praga, a peste, e todas as bestas de profecias façam cá sua morada. Que cada parte desse mundo morra para renascer imortal.
Pois o que ninguém descobriu é que o mundo já acabou.
Isso pode ser o fim de tudo.
E eu te espero no por do sol de uma geração agonizante. Quando tudo é marcado para o fim, nada do que se faz é pequeno. Podemos ainda ser um mundo. Com vida. Milhares de eras passadas em um segundo. Afinal, o que é o tempo no fim?
Isso pode ser o fim de tudo.
Então, porque não vamos a um lugar que só nós conhecemos?
Se tudo que morre é um mundo, só ao que é imortal chamaremos lar.
12.3.11
Não é a palavra nem a ação.

Se você me conhece, sabe como odeio a frase: "o cristianismo é um estilo de vida.".
Isso é muito pesado. Pouco exige esforço, já que, para ser cristão, só é necessário imitar um modelo: como quadros, músicas ou filmes. Só é necessário repetir padrões e conceitos em roupagens um pouco diferentes.
O cristianismo também não é uma verborragia, um discurso vazio que se espalha irritantemente de pessoas igualmente vazias. Mas é óbvio, e por ser tão declaradamente errado, não é isso que eu temo.
Eu tenho medo do nicho, e da sensação de minoria. Eu tenho medo que tal definição de fé nos leve a tomar uma identidade política, de tribo, ou de uma raça, contrariando o real conceito do Reino de Deus.
Mas o que importa? Precisamos de respostas fáceis, de curas paleativas que nos ajudem a fugir das perguntas.
Imprimimos padrões desde o primeira abordagem. Queremos o controle, e por isso comandamos: Se quer levante a mão, repita a oração, diga seu nome, venha à frente, dê o dízimo, leia a bíblia, faça nossa escola de teologia, lidere um grupo, evangelize, compre nossa linda camiseta, não questione, não critique. Seja aquele quem mandamos você ser. Tenha o estilo de vida que eu sei que Jesus tinha.
E então usamos a pulseira "O que Jesus faria?". O que Jesus faria se fosse assaltado? O que Jesus faria no trânsito de São Paulo? O que Jesus faria se fosse convidado para debater extraterrestres na TV? Eu não sei. Você sabe?
Mas algum dia um encontro escandaloso e absurdo aconteceu, e então dizemos ter sido encontrados por Deus. Apesar do nível de loucura dessa declaração, afirmamos com todas as palavras: Sabemos o nome do Salvador da humanidade. Eu o ouví, Ele disse que me ama. Ele disse que não existem mais barreiras, que fui perdoado, e que habita dentro de mim.
Não é à toa que os antigos eram jogados ao coliseu e odiados pelos romanos, politeístas, que acreditavam que cada um de seus deuses era uma representação de um atributo universal. Seria muita arrogância afirmar "Minerva habita dentro de mim", pois isso transformaria a pessoa automaticamente no guerreiro mais sábio do universo. Mas era isso que diziam aqueles cristãos subversivos, com seu Deus estranho. Eles eram odiados por serem arrogantes o suficiente para dizer que através de um sacrifício messiânico, elas agora incorporavam a essência do Criador do universo, inclusive das formas do céu e todas as suas manifestações divinas. Cada cristão dizia: em mim habita algo maior que todos os poderes de seus deuses juntos.
"Então provem isso vencendo meros leões". E pereciam.
E agora vejo jovens mal vestidos, embalando jargões, tentando criar modos seguros de se namorar e recalcando antigas formas de pensar. Vejo jovens quebrando CDs e videogames, e pergunto se o deus que habita dentro deles não é Dionisio, com sua característica loucura e paixão cega.
Me pergunto o que aconteceria se um dia descobríssemos e acreditássemos que aquEle que criou a tudo e a todos se move através de nós, com toda sua humildade, poder, perdão, justiça e bondade. O que aconteceria se parássemos de fazer o que Jesus faria e acreditássemos na mesma loucura dos antigos, perguntando para Jesus: - Ei, o que você quer que eu faça?
Ele vive.
O cristianismo não é um estilo de vida. É um relacionamento escandaloso.
2.1.11
Um conto
Um rei triste olhava o horizonte azul com olhos de soluço.
Mandara fazer o alto trono na torre de vigia, e passava os dias lá, do alvorecer ao crepúsculo, pois o que mais amava na vida estava doente, expirando aos poucos, em uma cama febril.
Enchera as praças do reino de cartazes suplicantes pela cura e com promessas gordas de recompensas a quem corajosamente encarasse chagas e febres com respostas verdadeiras e definitivas de melhoras. Trapaceadores levaram seus tesouros e sua esperança, já saqueada.
Aos poucos, o coração real tornou-se mais amargo.
Criara perguntas rígidas e padrões de consultas. Desencorajou indicações de médicos e magos, e a visita de portadores de resposta se tornaram cada vez mais raras, até cessarem.
O ódio tornou-se aliado de seu coração abalado e negro, e não era mais a desconfiança que o motivava, mas o desejo de ferir a todos. Se o que mais queria continuasse sendo negado, seu coração egoísta decretou que ninguém mais poderia ser feliz.
Agora esperava o horizonte desbotando nas ultimas horas de seu mundo, pois seu amor estava morrendo, e com ele, tudo também haveria de morrer. Colocara engradados de pólvora e derramara barricas de óleo em diferentes pontos da cidade, e ordenara guardas fiéis que sabia que obedeceriam a ordem (mesmo em custa da própria vida) de explodir casas, currais e lojas, e com eles, pessoas e animais; assim que o sol se derramasse no horizonte.
Mas seus velhos olhos nublados de desesperança o tapearam.
Um cavaleiro veio com respostas. Ele mesmo enfrentou portões fechados e guardas hostis enquanto o rei dormia. Descobriu a conspiração de sabotagem real, e acabou se sacrificando em lugar de muitos. Com o corpo alvejado de flechas, caiu sobre o rio da cidade depois de desarmar os guardas e mostrar a todos a extensão da loucura que os acometera.
O rei só acordara em um novo alvorecer, que achou que não haveria. Destituído de poder, ouviu um som fúnebre cruzar a cidade: Um silêncio iluminado, só cortado pelo barulho de pés chapinhando as pedras de calçamento e violinos lentos. Vieram busca-lo para encher uma cela vazia na torre que ele mesmo construíra. E o silêncio continuava, sinistramente transpirando vida, carregando o corpo do verdadeiro herói, cujo segredo de cura estaria para sempre escondido no fundo das águas, e o corpo do amor doente, que morrera aquela tarde, enquanto o rei dormia.
A antiga realeza ria loucamente em sua cela fria, mas os corações poderiam descansar na esperança. Tudo havia terminado.
Mandara fazer o alto trono na torre de vigia, e passava os dias lá, do alvorecer ao crepúsculo, pois o que mais amava na vida estava doente, expirando aos poucos, em uma cama febril.
Enchera as praças do reino de cartazes suplicantes pela cura e com promessas gordas de recompensas a quem corajosamente encarasse chagas e febres com respostas verdadeiras e definitivas de melhoras. Trapaceadores levaram seus tesouros e sua esperança, já saqueada.
Aos poucos, o coração real tornou-se mais amargo.
Criara perguntas rígidas e padrões de consultas. Desencorajou indicações de médicos e magos, e a visita de portadores de resposta se tornaram cada vez mais raras, até cessarem.
O ódio tornou-se aliado de seu coração abalado e negro, e não era mais a desconfiança que o motivava, mas o desejo de ferir a todos. Se o que mais queria continuasse sendo negado, seu coração egoísta decretou que ninguém mais poderia ser feliz.
Agora esperava o horizonte desbotando nas ultimas horas de seu mundo, pois seu amor estava morrendo, e com ele, tudo também haveria de morrer. Colocara engradados de pólvora e derramara barricas de óleo em diferentes pontos da cidade, e ordenara guardas fiéis que sabia que obedeceriam a ordem (mesmo em custa da própria vida) de explodir casas, currais e lojas, e com eles, pessoas e animais; assim que o sol se derramasse no horizonte.
Mas seus velhos olhos nublados de desesperança o tapearam.
Um cavaleiro veio com respostas. Ele mesmo enfrentou portões fechados e guardas hostis enquanto o rei dormia. Descobriu a conspiração de sabotagem real, e acabou se sacrificando em lugar de muitos. Com o corpo alvejado de flechas, caiu sobre o rio da cidade depois de desarmar os guardas e mostrar a todos a extensão da loucura que os acometera.
O rei só acordara em um novo alvorecer, que achou que não haveria. Destituído de poder, ouviu um som fúnebre cruzar a cidade: Um silêncio iluminado, só cortado pelo barulho de pés chapinhando as pedras de calçamento e violinos lentos. Vieram busca-lo para encher uma cela vazia na torre que ele mesmo construíra. E o silêncio continuava, sinistramente transpirando vida, carregando o corpo do verdadeiro herói, cujo segredo de cura estaria para sempre escondido no fundo das águas, e o corpo do amor doente, que morrera aquela tarde, enquanto o rei dormia.
A antiga realeza ria loucamente em sua cela fria, mas os corações poderiam descansar na esperança. Tudo havia terminado.
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